Tratamento de Imagens – Da Luz para o Papel

Da luz para o papel

Olá, quero te convidar a fazer uma viagem sobre o universo do Tratamento de Imagens com Photoshop. Serão quatro artigos especiais abordando etapas importante desse processo.

  1. Contraste
  2. Balanceamento de Gris / Cores
  3. Cores complementares
  4. Filtro de Nitidez

Publiquei essa serie de artigos há 10 anos, e estou revisando os textos e atualizando algumas informações. Mas, boa parte dos conceitos continuam válidos.

Então, boa leitura e espero que esse conjunto de técnicas e ferramentas melhorem o resultado de suas imagens! E não deixe de compartilhar conosco sua experiência utilizando as dicas desses artigos.

 

A câmera digital é o “elo” entre dois mundos – Emissão de Luz (RGB) e Reflexão de Luz (CMYK). A qualidade das imagens reproduzidas por um processo de impressão comercial como o Offset é resultante de um conjunto de variáveis.

A tecnologia muda os meios de produção, oferecendo mais recursos e ferramentas, mas os conceitos aplicados para se obter uma boa captura de imagem e reprodução impressa são os mesmos utilizados há cinco décadas atrás.

Em relação ao tratamento de imagens alguns conceitos andam esquecidos. Para realizar um tratamento consciente visando a melhor reprodução impressa, algumas informações devem ser previamente conhecidas pelo operador, por exemplo:

  • Tipo de papel
  • Processo de impressão (offset, serigrafia, flexografia, etc)

Essas informações serão inseridas no “Color Settings” do Photoshop, menu Edit > Color Setting > CMYK Setup, obtendo assim uma conversão de RGB – CMYK otimizada ao processo de impressão utilizado.

Aprenda a configurar o CMYK Setup do Photoshop neste tutorial em vídeo

Nas próximas linhas vou descrever os pontos essenciais dentro do tratamento de imagens direcionado a reprodução impressa em policromia (CMYK)

Contraste

Sem dúvida o mais importante atributo para se obter cores ótimas, consiste na diferença entre as áreas mais claras e mais escuras da imagem, Mínimas e Máximas respectivamente.

A área de Mínima, também chamada de Altas-luzes ou Branco, pode receber duas classificações – quanto a tonalidade (neutras ou entonadas) e quanto a luminosidade (difusas ou especulares), vejamos suas características:

Tonalidade

  • Neutras – representam uma tonalidade cinza ou branca dentro do original. Normalmente as imagens capturadas por câmeras digitais apresentam algum tipo de infiltração (color cast), que acabam contaminando as áreas neutras da imagem (leia mais sobre este item no tutorial 6 A)
  • Entonadas – quando recai sobre alguma tonalidade da imagem, por exemplo, Tons de pele, Céu, etc.

Luminosidade

  • Difusas – apresentam informação suficiente para a realização dos ajustes, estão de acordo com a luminosidade geral da imagem.
  • Especulares – são áreas estouradas, normalmente aparecem em forma de reflexos ou focos de luz, não servem como referência para o ajuste de Mínima, pois possuem pouca ou nenhuma informação.

img01 img02

A figura 1 traz um exemplo de mínima neutra / difusa. Já a figura 2 ilustra uma mínima entonada / especular.

O ajuste de Mínima certamente é o momento mais delicado do todo tratamento, a perfeita localização e ajuste desta área garantem uma correta distribuição tonal por toda imagem.

A Máxima está diretamente relacionada ao limite máximo de tinta suportado pelo papel, abaixo cito alguns exemplos típicos desses valores.

Papel Jornal:

  • Limite Máximo de Tinta: 240%
  • Limite Máximo do Preto: 90%

Papel Offset:

  • Limite Máximo de Tinta: 280%
  • Limite Máximo do Preto: 80%

Papel Couchê:

  • Limite Máximo de Tinta: 330%
  • Limite Máximo do Preto: 70%

Para cada tipo de papel e condição de impressão temos resultados de contraste (reprodução tonal ou gradação) diferentes devido à influência do intervalo de densidades atingível por uma determinada combinação de condições de impressão.

Aprenda a configurar o limite máximo de tinta no Photoshop neste tutorial em vídeo

O intervalo de densidade é a diferença entre o tom mais claro e o mais escuro da imagem, medido com um densitomêtro. Por exemplo, um cromo/slide que apresente em suas mínimas densidade de 0.25 e nas máximas um valor de 3, seu intervalo de densidade será de 2.75.

Dentre as reproduções, aquelas impressas sobre papel couchê chegam até 2.0 de intervalo de densidade, enquanto as impressas em papel jornal atingem, em média, o valor de 1.2.

O segredo para produzir boas reproduções em cores é ajustar o contraste para atingir a compressão adequada a determinadas condições de impressão.

Compressão tonal é a redução do intervalo tonal do original para um valor possível de ser atingido usando os processos de reprodução. Como a maioria dos originais tem intervalo de densidade superior ao da reprodução impressa, tal ajuste é uma obrigação dentro do tratamento de imagens, especialmente para imagens direcionadas a papeis não-revestidos e jornais.

Ganho de Ponto

Durante o processo de impressão, o ganho de ponto é uma das variáveis mais importante a ser controlada. O ganho de ponto consiste no aumento do tamanho do ponto de retícula quando comparados os filmes ou chapas com a reprodução impressa.

É a dilatação física do ponto causada por exposição incorreta da chapa, pelas pressões entre chapa, blanqueta e cilindro de contrapressão da impressora, ou pelo espalhamento da tinta ao penetrar no papel (ex.: papel jornal).

E a compensação do ganho de ponto é uma atribuição do Tratamento de imagens, a imagem é ajustada de modo que o resultado seja uma linha de gradação próxima ao desejado. Isso é feito reduzindo o tamanho dos pontos de meia-tinta.

O segredo para uma boa reprodução em cores é reduzir o tamanho dos pontos de meia-tinta conforme as condições de impressão (processo de impressão e papel).

Acompanhe nos próximos artigos a continuidade deste texto, onde serão abordados os tópicos:

  • Balanceamento de Gris / Cores
  • Cores complementares
  • Filtro de Nitidez

Bons estudos!

Bibliografia.

Separações de Cores em Desktop
Miles e Donna Southworth – Ed. Repro – 1996

Professional Photoshop
Dan Margulis – Wiley Publishing – 2002

COMPARTILHAR:
, , , , , ,

Felipe Santos

Especialista Adobe em InDesign, Photoshop e Digital Publishing Suite, com 25 anos de experiência nas áreas de pré-impressão, editoração e tratamento de imagens, transita desde 2010, após o lançamento do iPad, entre as midias impressa e digital. Apaixonado por publicações digitais é entusiasta de novas ferramentas, plataformas e formatos.

Deixe uma resposta