Formatos e Plataformas disponíveis para Publicação Digital [parte 1]

Se você se interessou neste artigo, muito provavelmente tem o desejo de produzir uma publicação digital – seja para tablet, smartphone, web ou e-Reader.

Mas por onde começar? O mercado de publicações digitais, apesar de recente, se considerado a partir de 2010, após o lançamento do iPad, oferece diferentes tipos de soluções e continua em constante mudança.

Neste artigo descrevo os principais formatos e plataformas, não importando o tipo da sua publicação. Pois uma vez que você entenda as características relacionadas à aparência, produção, interatividade e distribuição saberá avaliar cada opção, somando outras variáveis muito importantes: perfil do público, orçamento e experiência de leitura.

Atualmente podemos citar quatro formatos principais para publicações digitais, em geral, livros, revistas, catálogos, etc.

  • APP
  • HTML5
  • ePUB
  • PDF

Mas verdadeiramente considero apenas três – APP, HTML5 e ePUB, pois o PDF, clássico formato digital, tem sua plena potencialidade apenas em desktops, tanto em relação à usabilidade da leitura, bem como a aplicação de recursos interativos.

Devido a sua característica de página fixa, o PDF não é indicado para leitura em dispositivos móveis, em especial, nos smartphones.  Outra limitação está nos recursos interativos que, em sua maioria, não são reconhecidos pelas plataformas mobile.

Por isso, avalie bem se deseja oferecer sua publicação no formato PDF. Acompanhe no tópico Pontos chave dos formatos digitais, um comparativo entre HTML5, Apps e PDF. E caso decida que sim, indico três plataformas que irão te ajudar a distribuir suas publicações em PDF – Paperlit, Issuu, PressPad

Esta é a primeira, das duas partes do artigo, que te ajudará na escolha do formato e plataforma ideal para a sua publicação (bem, essa é a intenção!).

Nossa trajetória começa com Apps, HTML5 e suas variações. E concluímos nossa jornada abordando os tipos de ePub, Publish Online e os desafios do mercado de livros digitais.

HTML5

Por trás de tudo que vemos na web está o HTML5, mas não pense que essa linguagem de marcação de texto faz tudo sozinha. Sem a participação do Cascading Style Sheets (CSS) e do JavaScript nossa vida online seria monocromática e estática.

Com exceção do PDF, o HTML5 está presente em todos os demais formatos deste artigo. Acompanhe no item Produção como podemos utilizar os benefícios desse formato nas publicações digitais.

PRÓS

CONTRA

Compatível com todos os dispositivos, do desktop ao mobile.

Perde em experiência de marca, quando comparado aos Apps.

Texto real, acessível para busca e leitores de tela.

Distribuição avulsa complicada, para envio por email.

Formato universal.

Difícil de monetizar.

 

APP

Aplicativos, ou apenas, app, sem dúvida, é o nome mais repetido nos departamentos de marketing nos últimos anos. Há quem diga que auge do app já passou, talvez para segmentos de utilitários começa a surgir novas possibilidades, como o Progressive Web Apps (mas isso é tema para um próximo artigo).

Contudo quando se trata do mercado editorial, ainda temos muito espaço para experimentação, aliada há uma grande variedade de plataformas, com soluções e características, às vezes, bem diversas.

A seguir apresento duas categorias de apps – Navite app e Web App, e no Guia das Publicações Digitais reúno as plataformas compatíveis com cada tipo.

Native App

Esse tipo de app está presente no mercado editorial através dos Kiosk apps (aplicativos de banca). A principal característica é permitir o download da publicação para acesso off-line.

Claro que o native app não é exclusividade das publicações digitais, pelo contrário, a maioria dos apps para media social, jogos, edição de imagem são produzidos de forma nativa, ou seja, na própria linguagem da plataforma, Apple ou Android.

Apps para iPad e iPhone podem ser distribuídos de duas formas: através da Apple app store ou de forma privada por uma conta de desenvolvedor Enterprise. Há uma taxa anual de $99.00 para manutenção da conta de desenvolvedor.

Saiba como criar uma conta Apple Developer neste artigo.

Se o app for grátis, fique tranquilo, pois não haverá custo de distribuição, mas caso seja cobrado, pelo o app ou pelo conteúdo (venda avulsa das edições ou in-app purchase), em ambos os casos, a taxa será de 30% do valor de capa.

Não há como distribuir apps de forma pública fora da Apple app store.

Na plataforma Android é possível distribuir tanto via Google Play ou diretamente pelo site da empresa, bastando fornecer um link de instalação ao usuário final.

Em relação a venda a taxa é igual à da Apple – 30%. Contudo o valor da conta de desenvolvedor é bem mais acessível, com pagamento único de $25.00

Nos aparelhos rodando Android para realizar a instalação por fora do Google Play é preciso habilitar a opção fontes desconhecidas, em Configurações > Segurança.

Nesta categoria vamos comparar as seguintes plataformas para publicações digitais

  • AEM Mobile (Adobe)
  • Aquafadas
  • Mag+
  • App Studio
  • Liquid State
  • Dualpixel

O ponto em comum entre elas está na compatibilidade com publicações produzidas no Adobe InDesign, através do uso de plug-ins (compatível com cada plataforma) responsáveis pelo empacotamento da publicação e inclusão de interatividade.

Na verdade, no modelo de distribuição por Apps, diferentes dos eBook’s/ ePUB, não há um formato padrão. Algumas empresas concorrem com recursos e benefícios nem sempre muito semelhantes.

 PRÓS

CONTRAS

Experiência de marca (ícone personalizado do app).

Investimento elevado de algumas plataformas.

Monetização (assinatura e venda avulsa).

No iOS, distribuição restrita pela Apple app store.

Ideal para periódicos (Kiosk app).

Distribuição para mobile – tablets e smartphones. Poucas plataformas suportam uma versão para browser.

 

Web App

Web app é sobretudo um site que permite adicionar um ícone na home do tablet/smartphone. Simulando a experiência do native app, mas com todo conteúdo disponível apenas online.

Esse tipo de app atende bem setores de marketing e varejo, pois permite fácil instalação direto dos navegadores, sem a necessidade de cadastro nas App stores.

Destaco duas opções para produção de web app. Para publicações produzidas com Adobe InDesign o plug-in in5 é uma excelente opção. Já para projetos em HTML5 recomendo o Phonegap.

PRÓS

CONTRAS

Experiência como um native app.

Exige um servidor para o conteúdo.

Fácil instalação. Não precisa das App stores.

Suporte limitado a versões mais antigas dos OS.

Atualizações do app em tempo real.

Acesso online ao conteúdo.

 

Acompanhe as principais características desses formatos no final do artigo.

Produção

Qual o tipo da sua publicação? Liquida ou sólida. Um dos primeiros itens a considerar durante o planejamento da publicação digital trata-se do fluxo de produção. Vamos entender como funciona.

 

Publicação sólida

A grande maioria das empresas, ainda, escolhe pelo conteúdo sólido, ou seja, produzido a partir do Adobe InDesign.

Publicações sólidas tem o formato fixo, que lembram um PDF, mas só na lembrança mesmo, pois apesar de serem, normalmente, uma réplica da versão impressa, há nas plataformas vários recursos interativos disponíveis e, quando bem aplicados – texto em scroll, galerias de fotos, zoom, vídeo, animações e conteúdo em HTML5 – fazem a diferença e potencializam a mensagem.

Tenha em mente que o InDesign, sozinho, não consegue publicar conteúdo para apps. É preciso de uma ajuda externa, ou melhor, uma plataforma (veja o Guia de Plataformas) que será responsável pela produção do app, compatível com a publicação e recursos interativos criados no InDesign.

InDesign responsivo

Uma possibilidade muito bem-vinda está na publicação, separada, de versões para tablets e smartphones (recurso conhecido como renditions). Essa capacidade de gerenciar edições, para diferentes dispositivos, mantendo a aparência do layout, é um recurso, ainda, exclusivo dos Apps.

Fluxo de conteúdo

Publicações digitais criadas a partir do InDesign atendem, principalmente, aos Native Apps. Essa categoria apresenta a navegação em T, uma serie de artigos lado a lado, que os usuários podem navegar entre as seções com um scroll na horizontal e se aprofundar na matéria usando o scroll na vertical.

Ao escolher pelo InDesign o fluxo de produção fica bem amigável para os profissionais já envolvidos com as versões impressas.

 

Publicação Líquida

Produzir uma publicação em layout responsivo, ou seja, em HTML5 traz vários benefícios, mas alguns desafios aos profissionais. O primeiro ponto a superar é a própria linguagem visual que uma produção em HTML5 impõe.

Na publicação líquida, o fluxo do conteúdo é tipicamente vertical, com complementos interativos inseridos nas laterais ou diretamente na matéria principal.

Mas a principal barreira está na linguagem técnica. As marcações do HTML5 é uma ciência distante das editoras, o que exige a terceirização ou aumento da equipe.

Em especial os recursos interativos, que são facilmente aplicados no InDesign pelos plug-ins das plataformas, numa publicação em HTML5 será necessário utilizar arquivos JavaScript para criar uma simples galeria de imagens.

Calma, pois nem tudo é espinho, no mundo HTML5, uma vez alinhado o fluxo de produção um jardim de flores lhe aguarda. O principal, e muito bem-vindo, benefício é unificar a produção em um único arquivo para distribuição, sendo compatível com todos os dispositivos (mas nem todas as plataformas suportam HTML5, confira com atenção no Guia de Plataformas).

Ainda fazem parte da lista o fato de utilizar um formato universal, largamente documentado, com várias tecnologias e funcionalidades disponíveis para integração, finalizar arquivos mais leves, além de permitir o acesso ao texto real das matérias. Esse último benefício é uma vantagem especial quando comparado as publicações feitas com InDesign, pois é comum as plataformas converterem o layout em PNG ou PDF.

É importante ressaltar que projetos de publicações digitais são cada vez mais multidisciplinares. Centralizar toda produção do layout e interatividade, apenas no designer gráfico é sobrecarregar o profissional e limitar o resultado final.

 

HTML5 sem código

Nos últimos anos vem surgindo soluções online para produção de conteúdo responsivo em HTML5, para citar dois exemplos – Woodwing Inception e Webflow. São caminhos que minimizam a forte barreira do código para muitos profissionais da área editorial.

Para usuários do Adobe Creative Cloud uma excelente opção está no Muse, com o qual você pode criar e publicar conteúdo em HTML5, responsivo, sem escrever uma linha de código. Através de uma interface e ferramentas semelhantes aos dos outros softwares Adobe. Vale a pena experimentar.

 

InDesign para HTML5

Para os designers mais resistentes a linguagem HTML5 ainda há uma esperança.

Quando o assunto é exportação para HTML, a partir do InDesign, mantendo todas as características do layout e interatividades (até as animações do InDesign) estamos falando do in5.

Com esse plug-in é possível finalizar para HTML, Web App e integração com outras plataformas como Baker e Liquid State.

 

Pontos chave dos formatos digitais

A tabela a seguir reúne as principais características para um projeto de publicação digital.

Itens que você deve analisar antes de decidir por um formato ou plataforma. Entenda que se trata de um resumo, há exceções e recursos não suportados conforme o tipo de plataforma escolhida.

 

HTML5

Native App

Web App

PDF

Pode ser criado no Adobe InDesign

Não (1)

Não (2)

Não (3)

Sim

Permite interatividade e multimídia

Sim

Sim

Sim

Não (4)

Pode ser distribuído diretamente (como anexo, email)

Não

Não

Não

Sim

Pode ser distribuído via web

Sim

Não

Sim

Sim

Pode ser distribuído via App stores

Sim

Sim

Não

Não (5)

Localizado pelos sistemas de busca (Google, Yahoo)

Sim

Não

Sim

Não

Permite acesso off-line

Não

Sim

Não

Sim

Permite busca no texto

Sim

Não (6)

Sim

Sim

Observações:

  1. Através de plug-ins, tipo o in5, podemos gerar arquivos HTML direto do InDesign. O Publish Online pode ser considerado uma versão HTML também. Bem como, a cada versão, o InDesign procura melhorar sua exportação para o formato HTML.
  2. O InDesign sempre vai depender de um plug-in para alimentar um Native App com publicações. Confira na lista abaixo, algumas plataformas (plug-ins) que são compatíveis com InDesign.
  3. Semelhante ao Native App, o Web App também não é produzido diretamente pelo InDesign. O plug-in mas completo nesse item é o in5!
  4. A limitação de interatividade e multimídia do PDF ocorre nos dispositivos móveis. No desktop há um bom suporte aos recursos interativos (botão, vídeo, áudio, hyperlink).
  5. A maioria das plataformas, citadas abaixo, suportam o formato PDF para distribuição via App. Mas não é possível enviar um PDF diretamente para as Apps Stores.
  6. Apesar das páginas do InDesign serem transformadas em imagem pelos plug-ins das Plataformas Digitais (abaixo), algumas preservam o texto para busca dentro do App.

 

Guia de Plataformas para Publicações Digitais

Produzido com base nas informações colocadas neste artigo, o Guia de Plataformas visa auxiliar sua tomada de decisão sobre o formato e plataforma mais adequados conforme o tipo de projeto.

A escolha do formato da publicação digital é de total importância e irá definir outros aspectos fundamentais, como fluxo de produção, recursos interativos, distribuição e, principalmente, a experiência de leitura.

A descrição a seguir reflete a minha opinião, como profissional, com base em testes e utilização das plataformas. Não tenho a intenção de comparar os benefícios e limitações de cada solução, e muito menos esgotar o assunto.

Caso seja usuário de alguma dessas empresas sinta-se à vontade para contribuir.

 

AEM

Aquafadas

App Studio

Dualpixel

In5

Mag+

Liquid State

Phonegap Build

Tipo do App

Native App

Native App

Native App

Native App

Web App

Native App

Native App

Web App

Kiosk App (Banca)

Sim

Sim

Sim

Sim

Não

Sim

Não

Não

Single App

Não

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim

Formatos suportados

InDesign, HTML5, PDF

InDesign, HTML5, PDF

InDesign, QuarkXpress, HTML5, PDF

InDesign, HTML5, PDF

InDesign

InDesign

InDesign, XML

HTML5

PLATAFORMAS

iPad

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim

Tablet Android

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim

Não

Sim

iPhone

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim

Não

Sim

Phone Android

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim

Não

Sim

Windows 8

Sim

Sim

Não

Não

Não

Não

Não

Sim

Desktop App (Win/Mac)

Não

Não

Sim

Não

Não

Não

Não

Não

Desktop Web

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim

Não

Não

Não

Custo por App *

$10,000

$4,000

$699

R$ 1.000

$279

$499

$600

N/A

Custo por edição *

N/A

$720

$99

R$ 500

N/A

$99

N/A

N/A

Pagamento

Anual

Anual

Mensal

Mensal

Licença

Mensal

Mensal

Adobe Creative Cloud**

Custo por download

Não

Não

Não

Não

Não

Não

Não

Não

RECURSOS

Acesso off-line

Sim

Sim

Sim

Sim

Não

Sim

Sim

Sim

Relatórios

Sim

Sim

Sim

Sim

Não

Sim

Sim

Não

Venda avulsa / assinatura

Sim

Sim

Sim

Sim

Não

Sim

Sim

Não

Notificações

Sim

Sim

Sim

Sim

Não

Sim

Não

Sim

Interatividade e Multimidia

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim

Login e senha

Sim

Sim

Sim

Sim

Não

Sim

Não

Não

Busca de texto

Sim (metadados)

Sim

Não

Sim

Não

Não

Não

Não

Mais Informações

AEM

Aquafadas

App Studio

Dualpixel

In5

Mag+

Liquid State

Phonegap Build

* – Valores de referência para produção de Kiosk App ou similar.
Os valores podem variar conforme as características da publicação.
Consulte o fornecedor da plataforma.

** – Phonegap Build faz parte do pacote Adobe Creative Cloud é permite a produção de 25 apps.

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Felipe Santos

Especialista Adobe em InDesign, Photoshop e Digital Publishing Suite, com 25 anos de experiência nas áreas de pré-impressão, editoração e tratamento de imagens, transita desde 2010, após o lançamento do iPad, entre as midias impressa e digital. Apaixonado por publicações digitais é entusiasta de novas ferramentas, plataformas e formatos.

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